Desvendando o Sistema de Saúde Americano

Desvendando o Sistema de Saúde Americano

Desvendando o sistema de saúde americano

Por: Thais Berlinck

Difícil contar quantos neurônios queimei tentando entender como funciona a saúde nos Estados Unidos.  O sistema público é para todos? Quais as vantagens oferecidas pelos seguros de saúde privados? Cada vez que eu tentava encontrar mais clareza, uma série de dúvidas pipocavam. Após ler muito e conversar com moradores durante os quatro anos que moro aqui, consegui entender algumas regras básicas.

Desvendando o sistema de saúde americano
Couple Reading Letter About Husband’s Injury

A primeira delas é que o sistema público é restrito a algumas categorias, como o Medicare (para idosos com mais de 65 anos que pagaram impostos durante décadas de trabalho); o Veterans Affairs (para militares aposentados); e o Medicaid (atende pessoas de qualquer idade desde que comprovem baixa renda).

Entre os beneficiários do Medicaid, existem sim alguns brasileiros, latinos e pessoas de outras nacionalidades. No entanto, de acordo com as atuais normas do governo americano, estrangeiros que usam certos benefícios públicos (como o Medicaid) terão o pedido de residência permanente (Greencard) negado. Portanto, se você pensa em morar na América, recomenda-se fazer um bom planejamento. Afinal, imprevistos acontecem. E se alguém da sua família de repente precisar de uma internação hospitalar ou de alguns exames de imagem (como tomografia e ressonância magnética), você será surpreendido com cobranças altíssimas, daquelas que fazem qualquer marmanjo chorar.

 

Desvendando o sistema de saúde americano

 

Plano A

A opção mais recomendada seria um seguro saúde tradicional, que dá direto a consultas (médicas e oftalmológicas), vacinas, exames, emergência, cirurgias e atendimento hospitalar. Existem alternativas interessantes. Há planos que garantem cobertura de cerca de 70% das despesas – o restante é pago pelo cliente em forma de copay (uma pequena participação no pagamento de consultas e dos exames). Outros fazem com que o cliente seja responsável por um valor inicial pré-determinado (por exemplo, $3 mil) e depois o seguro arca com todo o resto. Essas são apenas duas simulações, mas há infinitas possibilidades. Mas não se iluda: em nenhuma delas você encontrará um plano com cobertura integral como existe no Brasil.

Há duas formas de aderir ao seguro saúde americano. Os funcionários de empresas, por exemplo, conseguem ingressar em uma das opções oferecidas pela companhia com a vantagem de pagar apenas uma pequena parte da mensalidade. As outras pessoas podem contratar um plano particular. Nos dois casos, não tenha vergonha de perguntar. Ter informação correta é o segredo para não levar gato por lebre.

Questione sobre cobertura, carência e valores. Para uma família de quatro pessoas, por exemplo, o plano particular mais simples fica em torno de $ 900 mensais; o intermediário, $ 1300; e o mais abrangente de todos, cerca de $1.500 ao mês. Para uma única pessoa, a mensalidade varia de $ 340 a $ 570, dependendo da cobertura que você escolher.

 

Plano B

Se os valores acima não cabem no seu bolso, existe também a possibilidade de recorrer a planos de saúde menores e bem mais baratos (cerca de $100 ao mês para uma família de quatro pessoas). Criados por clínicas particulares, oferecem um número de consultas anuais pré-determinadas, alguns exames (como de sangue, de urina e Papanicolau) e vacinas. No entanto, se houver necessidade de exames mais complexos, atendimento hospitalar ou internação, a pessoa terá que pagar do próprio bolso. Tudo bem que os hospitais estão sempre abertos para uma conversa e dispostos a adequar a conta a realidade financeira de cada um. Muitas vezes, eles parcelam o pagamento ou dão desconto e utilizam um fundo de charity (doação que milionários fazem para caridade) para cobrir o saldo restante. Mesmo assim, não dá para contar com isso para cuidar da saúde da sua família indefinidamente, concorda? Portanto, dê um passo adiante antes que um imprevisto possa comprometer seu sonho de viver na América.

E boa sorte!

 

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