Primeiro dia de aula nos Estados Unidos… Sem Falar Inglês!

Primeiro dia de aula nos Estados Unidos… Sem Falar Inglês!

Mudei. E agora?

Primeiro dia de aula nos Estados Unidos… Sem Falar Inglês!

Por: Thais Berlinck

 

Encarar o primeiro dia de aula em uma escola nova é sempre um desafio repleto de medos, inseguranças e dúvidas. Agora, encarar tudo isso em um país diferente, onde você não domina o idioma e não consegue se comunicar com ninguém, é um desafio muito maior.

Quando decidimos nos mudar para a região de Orlando, nos Estados Unidos, sabíamos que as crianças teriam que enfrentar este doloroso momento.  E começamos a sofrer antes mesmo do visto de trabalho ser aprovado. Procurávamos por escolas que oferecessem mais do que um bom ensino acadêmico. Queríamos que eles fossem acolhidos, se sentissem incluídos e amados. Focados nesse objetivo, começamos uma infindável pesquisa na Internet. Onde morar? Que escolas escolher? Melhor optarmos por uma região com mais ou menos brasileiros?

Em um primeiro momento, ficamos divididos entre Windermere e Winter Garden (onde já existe uma grande comunidade brasileira) e Lake Mary, uma região tipicamente americana mais ao norte de Orlando. Sim, nos apaixonamos por regiões opostas e não foi à toa. Cada uma delas tinha ótimos atrativos. Windermere e Winter Garden falavam mais perto ao coração. Ter brasileiros como vizinhos faz nos sentirmos em casa, traz segurança. E esse era um ponto a ser considerado. Mas será que essa inclusão não faria com que as crianças se excluíssem da comunidade local, perdessem o interesse pelo aprendizado do inglês e pela cultura americana? Vai saber… Lake Mary, em contrapartida, é mais perto do trabalho do meu marido (ele veio para cá transferido e já sabia o endereço do escritório) e tiraria as crianças da zona de conforto. Proporcionaria um intenso contato com americanos e com estrangeiros de outras nacionalidades. Obrigaria meus pequenos a aprenderem inglês na raça, sem ninguém ao lado para traduzir e orientar. Eles também seriam expostos a várias culturas e aprenderiam respeitar e valorizar as diferenças. Entrariam em um mundo desconhecido, sem dúvida, o que seria difícil e doloroso no início, mas também traria uma série de benefícios. O que fazer? Socorro!

Viajamos para a Flórida a fim de conhecer essas três regiões e seus habitantes. Fomos muito bem recebidos em todas, confesso. Mas pintou uma pequena decepção.  Queríamos visitar as escolas que tínhamos selecionado, mas só então descobrirmos que, por questões de segurança, não se pode entrar nos colégios públicos – apenas no dia do open house que acontece pouco antes ao início do ano letivo.

Ansiosa como sou – kkkkkkkk – deixei de dormir por semanas. Só pensava nos meus pequenos perdidos no meio daquele mundo de crianças desconhecidas. Mas ao fim desse doloroso processo, respiramos fundo e finalmente decidimos: iríamos encarar as diferenças e dificuldades que Lake Mary pudesse oferecer, na esperança de que o aprendizado fosse superior.

 

Prontos para a aula

 

Decisão tomada, chegou o tão temido dia. Seis e meia da manhã e todos em pé. O Enzo (na época com 6 anos) e a Bruna (9 anos), prontos para a Elementary School. E o Eric (11 anos), com tudo organizado para a Middle School.

Nos dirigimos primeiro para o prédio da Elementary School, que começava as 7:45 da manhã.  Eu acompanhei o Enzo até a sala de aula e meu marido, levou a Bruna. Conversamos com as professoras, que foram bastante acolhedoras e simpáticas. A da Bruna, por exemplo, abriu uma exceção para que ela usasse o Google Translator do celular sempre que preciso (deixamos um aparelho com ela exatamente para isso). O Enzo ainda não tinha celular, mas a professora mostrou que poderiam se comunicar pelo Google Translator de voz do aparelho dela. E combinamos um código. Se ele fizesse o número 1 com os dedinhos era porque estava com sede. O número 2 significava que precisava ir ao banheiro. Acordo feito, meus pequenos respiraram fundo e, com coragem, entraram na sala.

E eu? Bom tinha que segurar o rio de lágrimas que insistia em transbordar dos meus olhos, afinal ainda precisava levar o Eric para a escola. A Middle School começava as 9:15, mas chegamos meia hora antes pois precisávamos pegar o schedule com o horário e o local de todas as aulas, assim como o mapa da escola. Feito isso, tentei levá-lo até a primeira aula para explicar à professora que ele não falava inglês. Mas fui barrada na porta assim como alguns outros pais que também demonstravam uma certa angústia. Nos Estados Unidos, espera-se que os alunos de Middle School se virem sozinhos, pois isso as professoras dão menos atenção. Mas meu filho não falava inglês. E a escola era gigante! Quatro prédios e nem sei quantas salas de aula. Mais 1.100 alunos! Como assim se virar sozinho? Enquanto eu tentava explicar ao Eric o roteiro que ele deveria seguir para chegar na primeira sala de aula e nas seis subsequentes (aqui, são os alunos que mudam de sala e não os professores), vi uma funcionária passando. Corri atrás e descobri que ela era assistente do diretor. Foi nossa salvação!  Ufa! Ela levou o Eric pela mão até a primeira sala. Os olhinhos dele apertados de nervosismo, a pele pálida de medo, mesmo assim ele foi de cabeça erguida com passos largos. Quanto orgulho!  E eu fiquei na porta, chorando, tentando recuperar a lucidez depois de tanta tensão.

 

Hora da saída

 

Tentei me distrair como deu durante as sete horas de escola. Caminhei, corri, fui ao supermercado. Cheguei para buscá-los 15 minutos antes, ansiosa pelas novidades. E para a minha surpresa encontrei um sorriso estampado em cada rostinho. Difícil descrever meu alívio!!! Primeiro desafio superado.  Bora encarar os próximos!

 

Como matricular as crianças na escola em Orlando

 

 

 

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